Pedagogia a distância - UAB IV
Fundamento Teórico Metodológico e
Prática de Ensino de Ciências II
Tarefa
2 – Concepções
prévias ou espontâneas dos
alunos
A proposta desta pesquisa, em sua segunda etapa, para o planejamento de aula ficou entendida como sendo a intenção de consolidar conceitos e traçar metodologias. Para que com isso se estabeleça o tipo de diálogo que favoreça a aprendizagem dos alunos como descrito nas orientações da tarefa:
[...] não podemos simplesmente impor os conceitos científicos sem estabelecer um diálogo entre eles e os conhecimentos cotidianos dos alunos. Esse consenso se construiu a partir da constatação de que muitas vezes os estudantes já trazem ideias sobre ciências de senso comum que podem representar entraves a aprendizagem caso não sejam considerados no ensino. ALVES, Ana Cristina. Disponível em:<http://www.uab.ufjf.br/course/view.php?id=11190>acessado em 14/11/2013
Portanto, essa foi retomada como citação para lançar a compreensão sobre a temática “Por que as mulheres são diferentes dos homens?”, ou seja, quais são as concepções prévias ou espontâneas dos os alunos dos anos inicias da educação básica sobre o assunto?
Logo, houve dificuldades no desenvolver do trabalho pelo simples fato de não se encontrar uma demanda significativa de discursos atuais com o foco esperado. E, talvez, o fato ocorra pela necessidade contemporânea de se tratar de um tema polêmico, cultural, social e ideológico.
Essa afirmação baseia-se no artigo "Roteiros de Gêneros: A Pedagogia Organizacional e Visual Gendrada no Cotidiano da Educação Infantil" que traz em sua introdução, a seguir, os motivos que conceituaram todo o desenvolvimento da pesquisa de campo presente no trabalho (ver anexos):
Este trabalho descreve e problematiza a organização e distribuição dos espaços, objetos e atividades no cotidiano da Educação Infantil, como cenários e roteiros da construção de habitus e relações de gênero. Relações de gênero são relações de oposição entre noções de masculinidade e feminilidade e habitus é um sistema socialmente constituído de disposições cognitivas e somáticas duráveis, que inclui esquemas de percepção, pensamento, apreciação e ação, produto da internalização dos princípios de um arbitrário cultural. (Bourdieu, 1986, 1977; Bourdieu e Passeron, 1975). p.1
Já, a outra fonte foi estabelecida através do texto "Relações de gênero e sexualidade - Estudo sobre as relações de gênero e as contribuições da prática docente para a desmistificação de diferenças e preconceitos em relação ao sexo (sexismo) em sala de aula." Porém, ele acrescentou a este as questões norteadoras para a construção do questionário e o ponto de vista que a educação infantil é influenciável, como dito:
Dessa maneira, interesses e formas de comportamento para cada sexo são estimulados no ambiente escolar. Por isso, é necessário perceber como são formados e legitimados, fazendo com que alunos (as) se identifiquem ou diferenciem-se de acordo com as características socialmente valorizadas e/ou determinadas, não esquecendo que o processo educativo precisa ser desenvolvido visando à desmistificação das diferenças à respeito do gênero.p.3
Então, a pesquisa de campo contou com a participação de uma professora regente, atuante, em turmas de terceiros anos e duas analistas educacionais também com experiências em docência (Modelos Anexos 1, 2 e 3); além de outro questionário específico (Anexos Aluno 1 e Aluna 2) aplicado a duas crianças.
Assim, o objetivo central, desta etapa, consta no que foi respondido através do consolidado das duas primeiras questões dos questionários dos docentes e na ilustração das respostas dadas pelas crianças nos demais anexos. Ainda, vale creditar as demais perguntas e repostas a utilidade para serem apreciadas no decorre de outras sequências das atividades desta disciplina.
Em sequência, após, a análise das respostas ficou evidente que as questões socioculturais influenciam muito a visão das crianças sobre o temática, pois elas absorvem e reproduzem o que é evidenciado e apreendido por seus costumes como relatado pela educadora Rita Nobrega oralmente:
“[...] os meninos são mais gentis com as meninas, tem mais cuidado e pensam antes de ofender e reprovam quando outro menino age de forma bruta com elas...”;
“Os meninos me solicitam mais quando precisam resolver uma situação na base da conversa; enquanto as meninas buscam dialogar quando estão em conflito”;
“As meninas são mais acessíveis, acolhedoras quando recebem outro aluno (a) por exemplo”;
“Tive que “rebolar” para responder seu questionário, mas é muito bom refletir sobre a prática da gente”;
Outro relato oral interessante foi o da colega Maria de Fátima Clemente:
“Tenho problemas em escolas com professores, porque ficam apavorados por ver como tabu as questões de sexualidade ou não conseguir desenvolver o tema com naturalidade, tive como exemplo a fábula “O veado e a Moita”, a conotação dada ao animal pelas crianças me fez mudar o rumo da metodologia com foco no desenvolvimento da leitura para trabalhar o tema transversal sexualidade[...]”
Outro fator que também pode ser observado através das respostas é que, muito embora, não apareça à conotação sexual as crianças diferenciam meninos e meninas pelos órgãos sexuais e as mesmas são ‘orientadas’ a diferenciar os gêneros pelos traços comuns como cores (azul x rosa), cortes de cabelo (curto x longo), (delicadeza x brutalidade), ou seja, a aparência física e comportamental no trato social.
Ainda, há mais questionamentos a serem propostos através dessa pesquisa que precisam ser pensadas e refletidas como as definições de gênero e sexualidade; o trabalho interdisciplinar e transversal que favoreça a quebra de paradigmas e estereótipos; a relação escola, família e as suas funções.
Entretanto, acredito que o seu objetivo tenha sido alcançado e a partir de agora já é sabido o que se esperar dos alunos das séries inicias para com o tema e o tipo de trabalho que precisa ser desenvolvido para sanar possíveis ‘ruídos’ na comunicação para a aprendizagem.
Referências Eletrônicas
Relações de gênero e sexualidade. Estudo sobre as relações de gênero e as contribuições da prática docente para a desmistificação de diferenças e preconceitos em relação ao sexo (sexismo) em sala de aula. Disponível em:
<http://monografias.brasilescola.com/pedagogia/relacoes-genero-sexualidade.htm>. Acessado em:11/11/2013.
Roteiros de Gêneros: A Pedagogia Organizacional e Visual Gendrada no Cotidiano da Educação Infantil Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/31ra/1trabalho/GT23-3953--Int.pdf>. Acessado em 11/11/2013.

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